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RJ possui 12 mil animais em ONGs esperando um lar, diz instituto

Nora, de
oito meses, já esteve em mais de 20 feiras de
 adoção no Rio de Janeiro — Foto: Affonso
Andrade/ G1

Idade e cor
do bicho, além de doenças ou imobilidade, são entrave
Nora é uma
vira-lata de oito meses que foi abandonada na porta de um abrigo com cerca de
um mês de vida. Compareceu a mais de 20 feiras de adoção em busca de uma
família, mas, em todas, foi rejeitada.
Nora faz parte
de um contingente de 12 mil animais que aguardam um lar e que estão sob o
cuidado de 26 ONGs no RJ, segundo levantamento do Instituto Pet Brasil.
A entidade
afirma que, em todo o país, são 170
mil animais nessas condições
. Os 12 mil do RJ colocam o estado em
terceiro lugar, atrás de São Paulo e Rio Grande do Sul.
Em todo o país,
a população de animais domésticos é de 140 milhões, contando cães, gatos,
peixes, aves, répteis e pequenos mamíferos, como hamsters. No RJ, estão 6,5
milhões deles.
Rejeição
De acordo com
Christianne Duarte, fundadora e presidente da Associação Quatro Patinhas, que
cuida de cerca de 700 animais, as principais características que fazem os cães
serem rejeitados são:
  • Idade – animais acima de 3 anos são
    menos adotados;
  • Cor – cachorros pretos e gatos pretos
    ou brancos são menos levados por serem comuns;
  • Doença – animais com deficiência dão
    mais trabalho e despesa.
A ONG recebe,
em média, 50 pedidos de resgate por dia. Ao longo dos anos, as histórias se
multiplicam.
“A gente pegou,
outro dia, um gatinho que largaram numa praça. Ele estava dentro de uma caixa
de papelão. Ele ficou apavorado e não sabia como sair dali. Porque a hora que
saísse dali, ia morrer, ser atropelado. Ele não sabe se virar”, explicou
Christianne.
A ONG é uma das
responsáveis por
cuidar dos animais que foram retirados de um canil ilegal
 no
Grajaú, na Zona Norte do Rio.
Pena é
branda
De acordo com
Reynaldo Velloso, presidente da Comissão de Proteção e Defesa dos Animais da
OAB-RJ e membro da comissão nacional sobre o tema, a pena para quem abandona um
animal é branda no Brasil.
“Ela está
descrita na mesma pena de maus-tratos, pois abandonar também é crime. Então
você tem hoje uma penalidade de três meses a um ano. Quando vai ao Juizado
Especial Criminal, a pessoa é punida com uma cesta básica, faz um acordo e sai
praticamente livre, como se nada tivesse acontecido”, explicou Velloso.
Para ele, a
solução é mudar a penalidade e fazer com que esses crimes sejam julgados pelas
varas criminais, aumentando a pena para, pelo menos, de um a quatro anos.
Para ele, além
da punição, o caminho passa pela educação da população de que os animais não podem
ser vistos como objetos.
No começo de
agosto, o Senado
aprovou um projeto que tem como objetivo
 proibir que os animais
sejam juridicamente tratados como coisas. A iniciativa prevê o reconhecimento
dos animais como seres sencientes, que sentem dor e emoção e estão sujeitos a
sofrimento.
Segundo
Velloso, a medida poderia ajudar na punição de, por exemplo, quem abandonou
Chow. Companheiro de Nora no abrigo, ele é um cão da raça chow chow que foi
abandonado amarrado numa árvore. Não consegue um adotante pois é diabético e
exige cuidados.
Segundo ele, a
lei poderia também aumentar a penalidade contra quem chutou Golias. Ele teve a
mandíbula quebrada e precisou passar por uma cirurgia, mas perdeu alguns
dentes. Já Princesa, que é tetraplégica, usa um colete após uma cirurgia. Ela
foi atropelada.
Poder
público
A coordenadora
de animais domésticos da comissão da OAB-RJ, Débora Vieira, divide as medidas
que podem ser tomadas para evitar o problema dos animais abandonados em
individuais e coletivas, no que se refere ao poder público.
Entre as
individuais, ela defende que cada um seja responsável pela castração de seus
próprios animais e que adote em vez de comprar.
Ela afirma que
o trabalho das ONGs é importante, mas lembra que os animais de rua são de
responsabilidade do poder público e podem se transformar em um problema de saúde.
“A proteção
animal não pode mais ficar só enxugando gelo. O governo precisa ter uma atuação
eficiente para hoje”, ressaltou Vieira.
Por isso, o
grupo sugere algumas medidas ao estado e municípios:
  • oferecer castração em áreas carentes;
  • aprovação de leis mais severas em crimes de
    maus-tratos e abandono;
  • aplicação de multas mais pesadas para este tipo de
    crime;
  • investimento em campanhas de conscientização;
  • tributação da venda de animais;
G1 procurou
a Subsecretaria de Bem Estar Animal (Subem) da Prefeitura do Rio mas não obteve
resposta até o fechamento desta reportagem. A Secretaria de Estado de Saúde do
RJ afirmou que a atribuição dos animais abandonados é do poder municipal.
SERVIÇO:
Para denúncia
de casos de maus-tratos contra animais, a Comissão de Proteção e Defesa dos
Animais da OAB-RJ disponibiliza o e-mail [email protected]
Se você se
encantou com algum dos animais dessa reportagem ou quer conhecer outros, o
e-mail da ONG é [email protected]
Por Cristina Boeckel, G1 Rio

Fonte: Rio das Ostras Jornal

Origem.