Home / Região dos Lagos / Cremerj vai apurar caso de rim entregue em pote de plástico em vez do resultado de exame em Nova Friburgo

Cremerj vai apurar caso de rim entregue em pote de plástico em vez do resultado de exame em Nova Friburgo

Rim
devolvido para paciente em Nova Friburgo, RJ, estava
 em um pote de
plástico com rótulo de “polpa de maracujá”
Foto:
Maristher Fukuoka/arquivo pessoal
Conselho
Regional de Medicina afirma que cabe averiguação cuidadosa do acontecido em
hospital. Sociedade Brasileira de Patologia também repudiou armazenamento do
órgão em galão de suco e por meses: ‘irresponsável’.
O Conselho
Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro (Cremerj) informou que vai
apurar o fato do Hospital Municipal Raul Sertã de Nova Friburgo, na Região
Serrana do Rio, armazenar um rim em um galão de suco de polpa de maracujá
entregá-lo
apenas quatro meses depois à mulher
 de um paciente, no último mês.
O Cremerj disse
em nota que tomou conhecimento do caso por meio das mídias sociais e da
imprensa e que cabe uma averiguação cuidadosa dos fatos.
“Os
fatos narrados pela imprensa no referido Hospital são um exemplo de descaso,
causa de severos danos à integridade do paciente e um enorme atraso ao início
da terapêutica”, afirmou.
O Cremerj
também informou como devem ser feitos os procedimentos corretos de
acondicionamento e encaminhamento das ‘peças cirúrgicas’:
“Os laudos
da Patologia são de extrema importância. Eles orientam os médicos sobre a
terapêutica a ser utilizada em cada paciente, as características biológicas da
lesão ou do tumor e, inclusive, permitem aventar o comportamento biológico das
lesões ou tumores;
O material
retirado do paciente deve ser encaminhado imediatamente ao Serviço de Patologia
interno ou externo do hospital, devidamente rotulado, acondicionado e
acompanhado de requisição assinada e carimbada pelo médico, onde conste, além
da identificação do paciente e da peça retirada, uma breve história clínica que
sirva como orientação ao patologista;
O
acondicionamento da biopsia ou da peça cirúrgica exige diversos cuidados. Devem
ser colocadas, imediatamente, depois de retiradas do paciente, em um invólucro
adequado que permita o acréscimo de fixador em quantidade de 10 vezes superior
ao volume a ser fixado.
Este produto
químico preserva os tecidos e as células, evitando sua autólise, além de
provocar destruição de agentes patógenos, permitindo seu transporte, em atenção
ao disposto pela Resolução da Diretoria Colegiada da Agência Nacional de
Vigilância Sanitária;
Maristher
diz que foi enganada por Hospital de Nova Friburgo sobre
envio do rim
do marido para biópsia — Foto: Reprodução | Inter TV
Preservar a
amostra é fundamental para alcançar a qualidade que o estudo do patologista
precisa. Inclusive para poder realizar estudos imuno-histoquímicos, as normas
estabelecem um tempo mínimo de 8h submergido no fixador e máximo de 72h;
A
responsabilidade pelos procedimentos é compartilhada entre o cirurgião e o
responsável pelo centro cirúrgico. Neste, devem existir normas escritas, com
documentação sobre a retirada e o encaminhamento à patologia”.
Entenda o
caso
O órgão foi
entregue pela unidade no dia 17 de julho à Maristher Fukuoka, que levou o rim
para uma clínica particular pagando R$ 600 pelo exame. A previsão é que o
diagnóstico fique pronto apenas no dia 14 de agosto.
A mulher afirma
que foi
enganada pelo hospital
, que, em março, afirmou que o rim de Sebastião
Mury, de 62 anos, tinha sido encaminhado para a biópsia no Rio de Janeiro. Mas
ela descobriu, já em julho, após muitas idas à unidade atrás do resultado, que
o encaminhamento do órgão ao Rio não tinha ocorrido.
“A
funcionária me disse: ‘Não vou mais te enganar. O rim nunca saiu do
hospital”, contou.
SBP repudia
ocorrido
A Sociedade
Brasileira de Patologia (SBP) emitiu uma nota repudiando o fato do Hospital
Municipal Raul Sertã de Nova Friburgo, na Região Serrana do Rio, armazenar um
rim em um galão de suco de polpa de maracujá e entregá-lo apenas quatro meses
depois à mulher de um paciente. Para a SBP, a ação foi
“irresponsável”.
“É um
absurdo um paciente ficar quatro meses aguardando um diagnóstico! Além disso,
deve ser armazenado em um frasco transparente, nunca em um frasco que foi
utilizado para armazenar alimentos”.
O desabafo veio
do presidente da SBP, Clovis Klock, ao explicar que não é comum, nem
recomendando que um órgão fique tanto tempo armazenado sem encaminhamento para
o exame, já que existem técnicas, como a patologia molecular, que identificam a
doença desde que o exame seja feito em até 72 horas.
Respostas
Por meio de
nota, enviada nesta quinta-feira (1º), a Secretaria de Saúde de Nova Friburgo
disse que reconhece que o laboratório de patologias do Hospital Municipal Raul
Sertã apresenta algumas fragilidades e reitera o compromisso da nova equipe que
está a frente da pasta, após a recente mudança de gestão, de viabilizar a
realização deste tipo de procedimento da mesma maneira que é feita pela rede
hospitalar privada.
A nota diz
ainda que, “Em oportuno, a Secretaria reitera que, embora não seja o
ideal, os recipientes são higienizados e estéreis antes do armazenamento da
peça a ser analisada, que se mantém imersa em formol, o que, por sua vez, não
altera o resultado dos exames”.
A Prefeitura
informou também que foi criada uma comissão para analisar o caso.
O caso também
foi registrado na 151ª Delegacia de Polícia (DP). O G1 aguarda
outras informações sobre o caso.
Por G1 — Região Serrana

Fonte: Rio das Ostras Jornal

Origem.