Home / Noroeste Fluminense / Após morte e casos de meningite em presídios no RJ, servidores denunciam negligência na imunização

Após morte e casos de meningite em presídios no RJ, servidores denunciam negligência na imunização


OAB afirma que situação é alarmante nos presídios de Campos. As duas unidades têm capacidade para 800 detentos e já possuem mais de 2 mil internos. Casos de meningite em presídios de Campos, RJ, assustam agentes
Agentes dos presídios de Campos dos Goytacazes, no Norte Fluminense, denunciam a Secretaria Estadual de Administração Penitenciária (Seap) por falta de imunização nas duas unidades, que estão em quarentena. Três casos de meningite já foram confirmados este ano, com uma morte, segundo a Seap.
Outros três casos suspeitos da doença, nos meses de maio e junho, estão sendo sendo investigados na cidade, entre eles, a morte de um detento no último dia 2 de junho (domingo), ainda de acordo com a Secretaria estadual de Administração Penitenciária.
A Ordem de Advogados (OAB) do município afirmou que a situação é alarmante nos presídios por causa dos riscos da doença e da superlotação.
Servidores das unidades prisionais Carlos Tinoco e Dalton Crespo, que preferem não se identificar, afirmam que circulam no presídio, sem nenhuma segurança. Os agentes afirmam que estão à mercê da doença, pois eles transportam os detentos doentes para o atendimento fora da unidade, inclusive em hospitais da Prefeitura.
“Estamos com medo de pegar essa doença, ou até levar para casa e passar para os familiares.” afirmou um agente.
Os funcionários afirmam ainda que não tomaram nenhuma vacina para prevenir a doença.
“Eu já tomei remédio duas vezes, devido a ter vários contatos com presos, mas, segundo os médicos, você toma o remédio pelo contato que tem com o preso na hora e nada te livra, daqui a três, de você ter contato novamente e não pegar”, disse outro agente.
Em todo estado do Rio, neste ano, já foram registrados seis casos de meningite em unidades prisionais, com dois óbitos, conforme informação da Seap.
Detento do Presídio Dalton Crespo de Castro morreu com suspeita de meningite bacteriana
Paulo Veiga/Inter TV
OAB vai apurar o caso
A OAB informou que recebeu nesta terça-feira (11) uma nova ocorrência da doença e o caso será assunto da próxima reunião da Comissão de Direitos Humanos.
O Presidente da Ordem na cidade, o advogado Cristiano Miller, informou que está acompanhando a situação de perto.
“Resta à OAB acompanhar as ações das autoridades de saúde e da direção do presídio. Por outro lado, a OAB exerce o papel de orientação da advocacia acerca das restrições de contato que excepcionalmente são impostas,” afirmou Miller.
A OAB ainda acompanha a superlotação nos dois presídios da cidade que, segundo a Ordem, possui capacidade para 800 detentos e tem mais de 2 mil internos, atualmente. A Ordem informou que a superlotação também será tema de reuniões já agendadas para o mês de julho.
Presídio Carlos Tinoco da Fonseca, em Campos, está isolado
Osiel Azevedo/Inter TV
Respostas
A Seap informou que todas as medidas de proteção foram tomadas nos presídios e que uma equipe médica esta diariamente avaliando as unidades. Ainda de segundo a Seap, todos os servidores e internos foram medicados.
De acordo com o Seap, no Presídio Carlos Tinoco da Fonseca, o isolamento vai até o dia 22 de julho com a suspensão de visitas de familiares e advogados.
Já no Presídio Dalton Crespo de Castro, uma análise médica será feita para verificar se há outra suspeita de meningite. Caso não haja, a rotina na unidade prisional voltará ao normal nesta quinta-feira (13), segundo a Seap.
O G1 aguarda informações da Comissão dos Direitos Humanos sobre a data da reunião para discutir os casos.
A reportagem também aguarda uma posição da Seap sobre o problema da superlotação no presídio.
Veja outras notícias no G1 Norte Fluminense.

Fonte: G1 (Noroeste Fluminense)

Origem.