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Rebelião em presídio de Manaus deixa 15 mortos; unidade é a mesma de massacre em 2017

© Daniel
Teixeira/Estadão O ataque começou
 durante horário de visita
MANAUS – Quinze
detentos foram mortos no Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), em Manaus,
por volta das 12h30 deste domingo, 26. Segundo a Secretaria de Comunicação do
Governo do Amazonas, os óbitos ocorreram durante uma briga entre
os presos. A situação foi controlada por volta das 15 horas, mas a falta de
informações sobre as vítimas deixou dezenas de familiares sob tensão na entrada
do Complexo. A unidade é a mesma onde em 2017 aconteceu um massacre que deixou 56 mortos.
O ataque
começou durante horário de visita. Os parentes dos detentos foram retirados às
pressas do local. Segundo o secretário de Segurança Pública do Estado, coronel
Louismar Bonates, alguns assassinatos ocorreram na presença de parentes das
vítimas. Um grupo de mulheres chegou a bloquear o trânsito da BR-174, que fica
logo em frente ao Compaj, mas uma equipe do Batalhão de Choque da Polícia
Militar desobstruiu a via sob protestos.
Ainda de acordo
com o secretário, foi determinado o reforço em outras unidades do sistema
prisional, por medida de precaução. Helicópteros do Departamento Integrado de
Operações Aéreas fizeram sobrevoo no sistema, durante a tarde. Não há
informações sobre fugas e não houve agentes penitenciários reféns.
Em coletiva,
Bonates comunicou que a secretaria investiga a motivação do motim. “As câmeras
internas registraram todos os crimes e vamos encaminhar as informações à
Justiça”, declarou. O Estado mostrou que a crise nas penitenciárias ainda era latente, com grande
risco aos detentos.
Presídio teve
massacre com 56 vítimas em 2017
No dia 1º de
janeiro de 2017, o Compaj foi tomado por uma rebelião de detentos, no que seria
o início de uma onda de massacres em presídios do País. Em Manaus, detentos
encurralaram rivais e os executaram: o total de vítimas chegou a 56. O caso
ficou marcado pela crueldade com o que os criminosos agiram.
Em novembro
daquele ano, 213 presos foram denunciados à Justiça por ligação com o
massacre
. O documento detalhou como os integrantes da facção Família do
Norte (FDN) perseguiram os integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC),
que tentaram se proteger do ataque fugindo por dutos e se escondendo em
telhados, mas alguns acabaram vários acabaram capturados, torturados e mortos.
A investigação
mostrou que o massacre começou às 16h08 no Compaj, momento no qual os
integrantes da FDN, portando armas de fogos, facas e pedaços de paus, além de
material combustível, promovem um motim e avança sobre pavilhões vizinhos. Era
dia de visita de parentes dos presidiários. Alertadas, elas deixaram o local
antes do horário final estabelecido.
O alvo
principal eram integrantes do PCC, custodiados em uma área separada das demais,
chamada de “Seguro PCC”. Lá, só sobreviveram quatro dos 26 homens.
Três deles conseguiram escapar dos ataques ao deslocar a tampa de um bueiro,
arrastando-se por dutos de escoamento de água e esconderam-se nas galerias.
“Apesar dos rebelados terem perseguidos as vítimas, inclusive jogando várias
bombas nos dutos, não conseguiram concretizar seus intentos assassinos e as
vítimas ficaram escondidas até o fim da rebelião”, narra a denúncia.
Quando os
integrantes da FDN partiram para a chamada área de inclusão, o objetivo era
matar presos condenados não filiados a nenhuma facção, mas condenados por
crimes sexuais. “De acordo com informações prestadas pelos internos
sobreviventes dessa área, além da condição vulnerável de todos os presos que
ali estavam, as ‘lideranças’ do Compaj estariam ainda incomodadas com a
presença deles, pois queriam transformar essa área em um ‘motel’ (área para
recebimento de visitas íntimas) exclusiva para os integrantes da facção FDN”, explicou
na oportunidade o promotor Edinaldo Medeiros, que assina a denúncia.
Na área de
inclusão, dos 42 internos sobreviveram 22, a maioria por se declararem “irmãos
de benção”, integrantes de grupos religiosos dentro da cadeia. Dois dos
sobreviventes relataram à polícia que se esconderam no telhado para não serem
pegos. Outros tentaram se esconder, mas foram capturados. Cinco detentos
contaram que após serem agredidos foram obrigados a comer olhos humanos. Eles
foram mantidos como reféns sob constantes ameaças de mortes, mas acabaram
liberados ao fim da rebelião.
 Bruno
Tadeu

Fonte: Rio das Ostras Jornal

Origem.