Home / Região dos Lagos / Empresa citada em operação contra milícia será intimada por construção irregular de prédios na Muzema

Empresa citada em operação contra milícia será intimada por construção irregular de prédios na Muzema

Dois prédios
desabaram na Muzema na
sexta-feira
(12) — Foto: Reprodução/JN

Outras duas
empresas também serão intimadas a prestar depoimento. Uma delas é citada em
Ação Civil Pública que inclui também a prefeitura do Rio e uma empresa de
incorporações e participações.
A polícia do
Rio vai intimar três empresas para dar explicações sobre a construção de
prédios de forma irregular na Muzema, no Itanhangá, na Zona Oeste. A comunidade
é a mesma onde dois prédios desabaram na sexta-feira (12).
G1 confirmou
que pelo menos uma delas já foi citada anteriormente em uma denúncia do
Ministério Público sobre a atuação da milícia de Rio das Pedras na atividade de
construção civil.
A força-tarefa
formada pela 16ª DP (Barra da Tijuca) e a Delegacia de Repressão às Ações
Criminosas Organizadas (Draco) procura responsabilizar criminalmente os
responsáveis pelos prédios que desabaram na Muzema, causando 16 mortes na
última sexta-feira (12).
Uma das
empresas que será intimada pela delegacia é a Gaúcha New Construtora
Consultoria Planejamento e Projetos LTDA, citada em uma Ação Civil Pública,
conforme divulgado pelo jornal O Globo nesta quarta-feira, em que também estão
envolvidos o município do Rio e a Olimpique Incorporações e Participações LTDA.
Na decisão da
última segunda-feira (15), o desembargador Caetano Ernesto da Fonseca Costa, da
7ª Câmara Cível do TJRJ, determinou a “pronta suspensão de qualquer
movimento de terras no local demarcado da ação (Condomínio Figueirasdo
Itanhangá), assim como impedir a realização de obra e de construções novas,
ainda que a título de acréscimos a construções ali já existentes”.
A multa para o
prefeito Marcelo Crivella, caso a decisão não seja cumprida, foi estipulada no
valor de R$ 10 mil por dia de descumprimento.
Abertura de
firmas para baratear construções
Na denúncia do
Ministério Público sobre a milícia de Rio das Pedras, que gerou a operação
Intocáveis
, há menções explícitas à abertura de firmas na área de
construção civil para construção de imóveis na região, que inclui a comunidade
da Muzema.
Segundo o
MP-RJ, a abertura de firmas teria sido feita para baratear o valor de custo da
construção dos imóveis. Com o uso do CNPJ da empresa, seria possível adquirir
material de construção por menor preço.
Em um dos
diálogos interceptados, do dia 10 de outubro, Fabio Campelo Lima, um dos
denunciados e que seria responsável pela abertura das firmas em nomes de
“laranjas”, conversa sobre a construção de um prédio na região de Rio
das Pedras.
“Fábio:
Deixa eu te falar, esse endereço aqui, Avenida Júlio de Souza filho, 655 SV
Lote 7, o que que é isso, SV?
Júlio: É um
prédio que eles tão construindo.”
Em janeiro, o G1 publicou
que o Ministério Público abriu investigação sobre o pagamento de propina dos
milicianos a um funcionário da Prefeitura para liberar o alvará de
funcionamento de uma empresa de construção civil. O caso segue sob
investigação.
Na denúncia,
nomes de empresas são ligados diretamente a pessoas que estão na organização
criminosa. O escritório da milícia é localizado como sendo na estrada de
Jacarepaguá, 3145, a menos de três quilômetros do local onde os prédios
desabaram.
Por Henrique Coelho, G1 Rio

Fonte: Rio das Ostras Jornal

Origem.