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Estilista luta para voltar a sorrir após paralisia facial e conta experiência em blog: ‘sonho todos os dias que estou sorrindo’


Paralisia de Rafaela Miotto, moradora de Cabo Frio (RJ), ocorreu após cirurgia para a retirada parcial de um tumor no cérebro. “Prometi antes de entrar na cirurgia que ajudaria o máximo de pessoas”. Rafaela Miotto fala sobre a dificuldade de conviver com paralisia facial
A estilista Rafaella Miotto, de 33 anos, enfrenta uma luta contra a paralisia facial após a retirada parcial de um tumor no cérebro. Ela montou um blog para compartilhar suas experiências e ajudar outras pessoas a superarem a paralisia. O que ela mais quer é volta a sorrir.
“Tentar sorrir e não conseguir é uma das piores sensações. É inexplicável. Eu nunca imaginei que ia sentir tanta falta do meu sorriso. Eu sonho todos os dias que eu estou sorrindo”, disse.
A estilista Rafaela Miotto, de Cabo Frio, RJ, sente falta de sorrir na luta contra a paralisia facial; Ela conta que encontrou no apoio de amigos, parentes e até desconhecidos, a força para superar as dificuldades
Rafaela Miotto/Arquivo pessoal
Além de não conseguir rir, a estilista diz que é muito difícil conviver com paralisia, pois doí e não consegue fechar o olho.
“Eu não lidei bem com a paralisa mas promoti, antes da cirurgia que ajudaria o máximo de pessoas possível”, afirma Rafaella, que criou o Blog “Supera”.
Em vídeo enviado ao G1 , a moradora de Cabo Frio, na Região dos Lagos do Rio, conta como sua vida mudou após a descoberta do tumor e suas consequências.
Tudo começou quando ela perdeu de forma repentina a audição do ouvido esquerdo. Rafaela conta que foi ao médico e, em primeiro momento, a causa era uma sinusite, mas que quando fez um exame mais detalhado, foi constado que o som chegava ao canal auditivo mas não era repassado para o cérebro.
Desconfiou de diagnóstico errado
Ela pesquisou o assunto na internet e viu que uma das causas da surdez poderia ser um tumor, por isso, ela desconfiou do primeiro diagnóstico, quando foi informada pelo médico que se tratava de uma gripe.
“Na consulta, comentei com o médico sobre a pesquisa e ele disse que se fosse para me consultar na internet eu não tinha motivos para estar ali. Eu sai de lá muito insatisfeita e fui procurar outro”, conta ela.
Ao procurar outro especialista, conseguiu fazer exames mais detalhados e uma ressonância magnética, que detectou um grande tumor cerebral já comprimindo o celebro e varias terminações nervosas.
Rafela de Cabo Frio, RJ, dias após a cirurgia para retirar parte do tumor
Rafela Miotto/ Arquivo Pessoal
A partir daí, Rafaela começou a procurar um neurocirurgião e ficou assustada ao receber as primeiras informações sobre as intervenções necessárias.
“Eu estava muito assustada, queira que aquilo acabasse, porque você descobrir com 32 anos que tem um tumor cerebral e que pode ficar em uma cama pro resto da vida ou nem voltar da cirurgia, é assustador. Eu não consigo nem descrever”, conta ela.
Rafaela foi aconselhada pela família a procurar outros médicos e encontrou o que a operou. Ela revela que ele foi muito tranquilo e explicou sobre todos os riscos e sequelas que ela poderia ter.
“Antes de operar, em conversa com eles, eu tive que escolher entre tirar uma parte do tumor e depois continuar tratando ou tirarar todo o tumor, o que implicaria em tirar o nervo facial, nervo auditivo. Para eles eu não teria necessidade também de retirar o nervo facial e acabar com qualquer esperança de meu rosto voltar a ser o que era. Por isso, eu escolhi deixar o tumor. Então eu ainda tenho o tumor, eu ainda trato. Eu vou tratar para o resto da minha vida”, conta Rafaela.
Rafaela conta que a pior parte para ela é conviver com a paralisia facial
Rafela Miotto/ Arquivo Pessoal
Rafaela saiu da cirurgia com o mínimo de sequelas previstas, mas, como consequência, veio a paralisia facial. Ela conta que estava preparada até aquele ponto mas que não para a paralisia.
Ela começou a tratar da paralisia com fisioterapia 15 dias após a cirurgia. E revela que chegou a ter depressão mas que o apoio dos amigos e familiares foi essencial. Que sem eles, ela não conseguiria. Por isso, o blog, é uma forma dela mostrar às outras pessoas que lidam com problema, que elas não estão sozinhas e que também precisam superar.
“A paralisia não tira só sua mobilidade, ela tira sua identidade. E todo mundo quer ter uma identidade. É muito difícil, só quem realmente vive, sabe como é. A gente precisa muito da ajuda das pessoas”, ela diz.
Ajuda em grupos de apoio
No dia 29 de janeiro de 2019, Rafaela passou por uma nova cirurgia, dessa vez para reverter a paralisia facial. Tudo aconteceu quando ela passou a procurar por grupos de apoio, e achou um blog de uma menina que nasceu com paralisia e, lá, descobriu um cirurgião especializado em tratar casos de paralisia.
Ela conta que o médico é um dos únicos do Brasil que faz uma cirurgia que tira o nervo da perna e faz enxerto no nervo do rosto. Rafaela não teria condições de pagar a operação, mas foi alertada pelo grupo que, por não se tratar de uma cirurgia de estética e sim de uma cirurgia reparadora, o plano de saúde seria obrigado a cobrir.
Rafaela dias após realizar a cirurgia
Rafaela Miotto/ Arquivo Pessoal
No blog “Supera”, ela posta todo o processo de recuperação com a finalidade de ajudar as pessoas a encontrarem informações, tirar dúvidas e dar indicações.
“Antes de eu entrar na cirurgia, eu fiz uma promessa. Eu falei que a partir daquele dia, quando eu saísse da cirurgia eu ia tentar ajudar o máximo de pessoas que eu conseguisse, com qualquer problema”, ela conta.
“Acredito que a melhor forma de prevenção é a conscientização, se eu tivesse corrido atrás quando comecei a sentir uma dorzinha leve de cabeça anos atrás, talvez eu não estivesse passando por tudo isso”, ela diz.
Atualmente, Rafaela está cursando nutrição e diz que ainda sente vergonha de ir até a faculdade, mas que, após a segunda cirurgia, ficou muito claro que ela precisa continuar vivendo. Ela segue o tratamento na esperança que a paralisia seja revertida.
Rafaela está seguindo em frente e está cursando nutrição em Cabo Frio, no RJ
Rafaela Miotto/ Arquivo Pessoal
“Só saberei o resultado daqui uns 8 meses, a recuperação leva em media um ano. Não tem como saber se o nervo vai responder, é um processo longo”, conta ela.
Em relação ao seu sorriso, uma questão que a incomoda muito, ela diz que está na expectativa de conseguir sorrir mais ou menos daqui um tempo.
“Nunca mais eu vou conseguir dar aquele sorrisão, mas sorriso esteticamente normal devo conseguir com 8 meses, um ano, um ano e meio. Não tem muito como prever porque são três meses com a boca mais travada até cicatrizar. Depois vem massagem e fisioterapia”, finaliza.
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*Estagiária sob a supervisão de Ariane Marques.

Fonte: G1 (Região dos Lagos)

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