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Protestos contra Daniel Ortega deixam 35 feridos na Nicarágua

Funcionário
inspeciona danos em loja de conveniências de posto
de gasolina
destruída durante confrontos entre manifestantes
anti-governo
e policiais em Masaya, na Nicarágua. Manifestantes
 gritam slogans contra o presidente Daniel
Ortega durante protesto
 em Masaya(Fotos: Reuters/Oswaldo Rivas / Inti
Ocon/AFP/ AP
 Photo/Alfredo Zuniga)
Mais de 50
pessoas já morreram e 400 ficaram feridas desde o início das manifestações
contra o presidente, em 18 de abril. Diálogo nacional, com mediação da igreja,
deve começar na quarta (16).
Confrontos
entre manifestantes e policiais de choque deixaram ao menos 35 feridos e 10
detidos nesta terça-feira (15) em Matagalpa, no norte da Nicarágua, no âmbito
dos protestos contra o governo de Daniel Ortega que já deixaram ao menos 53
mortos.
“Estão
atirando em nós, eles não têm vergonha, as ruas são nossas, atacam as pessoas
desarmadas, covardes. Fora!” – gritaram os manifestantes em uma rua da
cidade, segundo um vídeo divulgado nas redes sociais.
“Disparam
em nós com escopeta, vêm nos agredir!” – disse em outro vídeo um jovem com
o rosto parcialmente coberto com uma camisa.
O dirigente da
Associação Nicaraguense Pró-Direitos Humanos (ANPDH) de Matagalpa, German
Herrera, disse a um canal de televisão local que “os garotos estão
desarmados e não têm com o que se defender” contra os policiais.
“Nosso
cálculo está em cerca de 35 pessoas feridas e 10 detidos”, disse Herrera
ao canal privado 100% Noticias.
“É
doloroso o que está acontecendo, não deveria ter acontecido isso, (…) estamos
preocupados porque o homem (o presidente Daniel Ortega) fala de diálogo, mas
não existem as condições”.
“Há muitos
feridos em Matagalpa”, disse à AFP Bayardo Siles, um ativista que se
encontrava em uma paróquia apoiando o traslado de feridos ao hospital da
cidade.
Matagalpa, 127
km ao norte da capital, foi governada nas últimas duas décadas pela Frente
Sandinista (FSLN, esquerda), de Ortega.
O Canal 100%
Noticias – um dos meios que foi fechado pelo governo por alguns dias em abril
por transmitir a repressão às manifestações – denunciou que um muro em frente
ao seu edifício em Manágua foi alvo de um disparo a partir de uma caminhonete
branca.
“Tomamos
isto como parte das ameaças e intimidações que fizeram contra nós” por
transmitir o que ocorre nos protestos, disse à AFP a chefe de imprensa do
Canal, Lucía Pineda.
Pineda revelou
que recebem diariamente de parte de simpatizantes do governo ameaças de morte
contra seu diretor e de que vão incendiar o edifício.
O Ministério da
Educação anunciou a suspensão das aulas do ensino secundário em Manágua, como
medida de segurança, depois que alunos de alguns colégios se uniram aos
protestos.
As
manifestações contra o governo, que começaram no último 18 de abril, em meio a
um clima crescente de violência, deixaram ao menos 53 mortos e mais de 400
feridos.
O governo e a
oposição se preparam para iniciar na quarta-feira um diálogo nacional com a
mediação da igreja católica, com a esperança de encontrar uma saída para a
crise no país.
Redução de
vistos para os EUA
Nesta
terça-feira, a embaixada dos Estados Unidos na Nicarágua anunciou a suspensão
do trâmite de vistos e emitiu um alerta de segurança para seus cidadãos devido
às “condições instáveis” no país.
A missão
diplomática informou que “não processará aplicações de rotina para vistos
de não imigrantes” a partir de quarta-feira, segundo uma nota à imprensa.
Indicou, ainda,
que devido às “condições instáveis de segurança” o horário de
atendimento ao público foi reduzido e que o pessoal consular “priorizará
os serviços a cidadãos americanos”.
Acrescentou que
foram cancelados todos os agendamentos para solicitação de vistos, “assim
como as aplicações de vistos de menores de idade com pais que têm residência vigente
nos Estados Unidos”.
Os vistos de
emergência só abrangerão viajantes com circunstâncias médicas urgentes,
estudantes e visitantes de intercâmbio com datas de entrada iminentes, assim
como viagens de negócios de caráter urgente.
Em 23 de abril,
o governo americano ordenou a saída da Nicarágua de familiares de funcionários
da diplomacia, devido à onda de protestos que afeta o país.
Por France Presse

Fonte: Rio das Ostras Jornal

Origem.