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Filho de criação de australiano foragido no Brasil diz que nunca sofreu abuso

Christopher John Gott: condenado em 1994 a seis anos
de prisão por abusar sexualmente de cinco menores.
 (Foto: Reprodução/TV Globo)
Christopher
John Gott vivia com outro nome no país. Ele foi condenado em 1994 a seis anos
de prisão por abusar sexualmente de cinco menores na Austrália.
O australiano
Christopher John Gott, condenado
por abuso sexual na Austrália
 e foragido há mais de vinte anos,
foi descoberto num hospital no Rio de Janeiro. Ele é uma das vítimas do
motorista que atropelou 18 pessoas na praia de Copacabana, há quase três meses.
Gott está em coma até hoje.
Christopher
tem três filhos de criação no Brasil
. Um dos filhos, identificado como
Daniel, deu entrevista ao Fantástico sobre o choque ao descobrir o segredo que
o pai guardava. Daniel contou que ele e outros dois jovens que o australiano
ajudou a criar no Rio jamais foram abusados por ele, mas que está determinado a
descobrir se Gott também cometeu abusos no Brasil.
“Quem
não fica enojado com esse tipo de acusação? Por isso que é uma coisa bem
difícil pra gente. É complicado ainda, cara. Está todo mundo muito abalado,
entendeu?”. As palavras são do jovem Daniel, que viveu por seis anos com o
australiano que ele considerava um pai.
Apesar
de tentar manter sua verdadeira identidade no anonimato
, Gott era uma
figura que não passava despercebida em Copacabana. O escultor de areia Euclides
Antônio Bittencourt conta que Gott ia todos os dias à praia. “A partir das
16h, ele sentava por aqui”.
O vendedor de
caipirinha Tiago Henrique também tinha contato diariamente com o australiano.
“Todo dia ele vinha beber caipirinha aqui comigo. Com pouco gelo, pouco
açúcar e muita cachaça”, revelou.
No dia 18 de
janeiro, o australiano conhecido por todos como Daniel foi vítima de um
atropelamento na orla. O motorista, Antônio Anaquim, invadiu
a calçada e atropelou 18 pessoas
. No acidente, morreu um bebê de oito
meses. O motorista alega que sofreu um ataque epilético e responde por
homicídio culposo em liberdade.
Dos 17 feridos,
o australiano foi o que mais sofreu. Gott teve traumatismo craniano grave e
está em coma no Hospital Municipal Miguel Couto desde o dia do atropelamento. O
delegado Claudio Otero Ascoli conta que só foi possível saber sobre a
verdadeira identidade do estrangeiro por conta do acidente.
“Ele
estava com a cópia de um passaporte, a partir disso fomos entender quem era
esse estrangeiro” explicou o delegado.
Na cópia do
passaporte, o australiano, nascido em Melbourne há 68 anos, aparece com o nome
Daniel Marcos Philips. No Brasil, ele era conhecido como um sujeito discreto,
simpático, e que dava aulas particulares de inglês no calçadão de Copacabana.
Foi pelas impressões digitais que as autoridades australianas identificaram o
homem em coma no Rio como Christopher John Gott, um professor de uma escola
para adolescentes condenado em 1994 a seis anos de prisão por abusar
sexualmente de cinco menores.
Gott entrou
no Brasil acompanhado
A juíza Sally
Thomas, da cidade de Darwin, no norte do país, disse que levou em consideração
que os rapazes tiveram um relacionamento consensual com o professor. Por isso,
depois de cumprir dois anos na cadeia, Christopher ganhou liberdade condicional
e pediu para ser transferido para Melbourne, no sul do país. Quando o ônibus
que levava o condenado parou em Adelaide, ele fugiu.
Na cópia do
passaporte, o australiano, nascido em Melbourne
há 68 anos,
aparece com o nome Daniel Marcos Philips
 (Foto: Reprodução/TV Globo)
“O que nós
obtivemos até agora é que ele chegou no Brasil acompanhado de uma mulher que se
dizia esposa dele. Estamos apurando ainda o destino, o que aconteceu com essa
senhora, se ela é australiana, se ela é brasileira. A princípio a informação é
que ela seria australiana e teria morrido de câncer”, acrescentou o
delegado.
Como Gott vivia
ainda é uma incógnita. Ele não tinha conta em banco nem boletos em seu nome.
Visitas de
alunos e filho de criação no hospital
Depois do
acidente na praia de Copacabana, o estrangeiro recebeu visita no hospital de
alunos e de Daniel, que ele tinha como filho adotivo no Brasil. Daniel, por
coincidência, conhecia o atropelador que deixou seu pai de criação em coma.
A polícia ouviu
o depoimento de Daniel e de outro rapaz, que também tratava o australiano como
pai. Nenhum dos dois foi adotado formalmente. Daniel contou que tinha 14 para
15 anos e panfletava na rua quando conheceu o estrangeiro e a esposa, Dianna
Kentish.
Daniel disse
também que apresentou a família e, a pedido da mãe, foi morar com os
australianos em Copacabana, onde ficou por seis anos. Ele estudou inglês,
espanhol e informática e teve ajuda financeira. Somente depois do atropelamento
é que soube que o nome verdadeiro do australiano era Christopher John Gott.
O jovem também
contou que entrou em contato com o filho biológico de Christopher, Jamon Gott.
Daniel disse também que não sabia quando nem como Gott havia entrado no país.
Ele revelou também que o pai adotivo pedia para colocar algumas contas em seu
nome, e que não encontrou documento nenhum do australiano.
Daniel disse
estar muito abalado e confuso ao descobrir o passado de crimes do Christopher e
que está determinado a descobrir se o homem a quem considerava um pai, que
pagou os estudos e sempre deu muito carinho, também cometeu abusos no Brasil.
“Ele
foi uma pessoa fundamental no meu desenvolvimento, me ajudou bastante, até eu
completar 21 anos. Aprendi um inglês perfeito com ele. Daniel que sempre foi
uma pessoa legal, entendeu?”
Os outros dois
homens ajudados pelos australianos falaram que vão contribuir com as
investigações.
Em nota, a
Polícia Federal Brasileira disse que está em contato com as autoridades
australianas para decidir o que fazer. A Polícia Australiana disse ao Fantástico
que já investigava o paradeiro de Gott antes do acidente, e que estão
trabalhando na possibilidade de extradição.
Por Fantástico

Fonte: Rio das Ostras Jornal

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