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Beija-flor lembra 200 anos de ‘Frankenstein’ para criticar corrupção, intolerância e ‘Brasil monstruoso’

Beija-Flor
usou história do Frankenstein para fazer crítica à
 desigualdade social no Brasil (Foto: Alexandre
Durão/G1)
Última
escola fez paralelo entre o livro e mazelas brasileiras: corrupção,
desigualdade, preconceito… Desfile exaltou Pabllo Vittar e Jojo Todynho,
destaques que mostraram luta contra intolerância.
A Beija-flor de
Nilópolis encerrou os desfiles do Grupo Especial no Rio com um paralelo entre o
romance “Frankenstein”, que faz 200 anos, e mazelas sociais
brasileiras. Corrupção, desigualdade, violência e intolerâncias de gênero,
racial, religiosa e até esportiva formaram o cenário “monstruoso”.
O desfile da
Beija-flor começou pouco depois das 4h de terça-feira (13) e durou 72 minutos.
Os protestos sociais fizeram coro com dois desfiles do dia anterior: da Mangueira e do Paraíso do Tuiuti.
O samba-enredo
comandado por Neguinho da Beija-flor e cantado alto pelos presentes na Sapucaí
tem o título “Monstro é aquele que não sabe amar. Os filhos abandonados da
pátria que os pariu”.
O desfile foi
todo de metáforas de terror sobre o Brasil. Entre os animais, teve a “ala
dos roedores dos cofres públicos” e a dos “lobos em pele de
cordeiro”, algumas das diversas referências aos políticos brasileiros.
O começo
relembrou o romance da autora inglesa Mary Shelley: a história do estudante de
ciências que constrói um monstro em seu laboratório, abandona sua criação e
entra em confronto com ela.
A partir disso,
a escola faz o paralelo entre os motivos que levaram à criação do monstro pelo
Dr. Frankstein e as origens dos problemas brasileiros: ambição e ganância, em
ambos os casos. O abandono no “monstro” e do povo brasileiro também
são questionados.
As mazelas
vieram em ordem cronológica: a ala “Imposto dos infernos” criticou as
taxas cobradas dos brasileiros, desde o “quinto” da época da
mineração de ouro. As baianas se vestiram de “santas do pau oco” –
prática no Brasil colônia de esconder ouro dentro de imagens de santos.
Não faltaram
jogos de palavras, como da ala “Ali Babá e os bobos”, sobre o lucro
excessivo dos vendedores de especiarias na era colonial.
Já em tempos
modernos, veio a ala “Vampiros sanguessugas exercem seus podres
poderes”, sobre os políticos vistos como “morcegos-vampiros” que
sugam o sangue do povo.
A corrupção na
Petrobras foi lembrada em fantasias com barris de petróleo na cabeça e em um
carro com o edifício sede da empresa, que vira uma favela atrás de um grande
rato.
Violência,
poluição, impostos excessivos, sistema de saúde ruim, crianças carentes: não
faltou tema para seguir o “terror brasileiro”.
Na parte sobre
intolerância, além da presença de Pabllo Vittar e Jojo Todynho, houve uma ala
em que homens e mulheres trocavam de roupa entre si.
Até a
intolerância no esporte apareceu, com críticas à violência entre torcidas e a
“cartolas” corruptos do futebol.
Sob o comando
da bateria “Poderosa”, foram 3,5 mil integrantes divididos em 36 alas
e cinco carros-alegóricos.
A escola tentou
dar um encerramento positivo, representando a esperança com a “redenção
pelo samba”. Apareceram figuras tradicionais do samba, com a ala final
emulando um bloco de rua com a multidão cantando o samba em coro.
A Beija-Flor
tem 13 campeonatos no Grupo Especial do Rio – só fica atrás da Portela e da
Mangueira no total de vitórias. No ano passado, ela ficou em 6º lugar.

Por G1

Fonte: Rio das Ostras Jornal

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