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Doenças de Maluf não convencem, diz autor de denúncia

© Reuters Enfim
– Maluf, de bengala: ele parecia melhor
quando não
sabia que estava sendo filmado
Um dos autores
da denúncia que levou o deputado federal Paulo Maluf para a
cadeia, o promotor de Justiça Silvio Marques disse nesta
quinta-feira (11) que o parlamentar “não convence” ao alegar sofrer sérios
problemas cardíacos.
O promotor fez
referência ao dia da prisão de Maluf: o deputado andava com dificuldades e com
a ajuda de uma muleta. “Aquela história de sair de muleta, as
doenças dele não convencem. Até dias antes, ele estava trabalhando”, disse
Marques. “Todo preso faz o que Maluf está fazendo, de alegar problemas de saúde
para poder cumprir a pena em regime domiciliar”.
Maluf foi
condenado a sete anos, nove meses e dez dias de prisão pelo Supremo
Tribunal Federal (STF) em maio, por crimes de lavagem de dinheiro na
época em que foi prefeito de São Paulo (entre 1993 e 1996). O deputado só foi
preso, no entanto, em dezembro do ano passado, por determinação do ministro do
STF, Edson Fachin. Maluf está na Papuda, em Brasília.
Desde então, a
defesa do parlamentar tem tentado fazer com que Maluf cumpra a pena em casa,
sob argumento de que o deputado é idoso (86 anos) e tem a saúde frágil. Nas
petições, os advogados alegam que o deputado sofre de um câncer e
de “graves problemas cardíacos“. Em um dos pedidos, o advogado
Antonio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, mencionou a morte de dois presos na
Papuda por problemas no coração. A Justiça, no entanto, manteve o parlamentar
preso.
“A Lei de
Execução Penal prevê que o preso pode ser escoltado até um
hospital para tratamento e depois ser levado de volta para a cadeia”, disse o
promotor, para quem Maluf sempre foi símbolo de impunidade dentro e fora
do País e uma eventual soltura do político seria “vergonhosa”.
Humanidade
Em resposta ao
promotor, Kakay disse ter uma visão humanista que permite a ele desprezar a
opinião de Marques. “Não sei se o tal promotor é médico. Eu não sou. E nada
entendo de medicina. Todas as minhas petições são com base em laudos médicos e
opiniões de profissionais da saúde. Mas julgo ter uma formação humanista que me
permite desprezar a opinião deste promotor, que não honra a promotoria”,
escreveu.
O advogado diz
que a defesa de Maluf faz o mínimo, que é o de apresentar laudos e questionar
os órgãos sobre manter um “senhor de 86 anos, com 3 doenças graves em um
sistema penitenciário falido”. “A defesa não se dá o direito de brincar com a
vida. E não se permite abrir discussão com um promotor que, pelo que parece,
tem mais interesse em ‘ganhar uma causa’ ou ‘exibir um troféu’, fazendo da
prisão uma medalha olímpica”, disse Kakay.
A defesa
escreveu ainda que o MP deveria estar mais preocupado em discutir “em dar
dignidade ao cruel e desumano estado dos presídios brasileiros”.
Kakay mandou
para a reportagem uma publicação que o papa Francisco fez no Twitter. A
mensagem do papa era: “Quem não sofre com o irmão sofredor, mesmo se
diferente dele por religião, língua ou cultura, deve interrogar-se sobre a
própria humanidade”. Em seguida, o advogado escreveu: “Parece que o Papa
Francisco respondeu melhor para o Promotor do que a defesa”.
A assessoria do
parlamentar também se manifestou, dizendo que a declaração é desrespeitosa. “O
referido promotor deveria esperar o pronunciamento da justiça a respeito desse
assunto em vez de comportar-se de maneira infame, ofendendo um homem de 86 anos
de idade que apenas procura seus direitos na justiça.”

VEJA.com

Fonte: Rio das Ostras Jornal

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