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Rio: Bandos usam espionagem na disputa pelo tráfico da Rocinha, na Zona Sul do Rio

Imagens de câmeras de segurança revelaram o momento em que bandidos de uma facção rival invadem à Rocinha, no dia 17/09/2017 . Foto: reprodução vídeo OTT/RJBandidos de facções rivais estão usando táticas de espionagem na disputa pelo controle do comércio de drogas , na Favela da Rocinha, na Zona Sul do Rio. Investigação da 11ª DP (Rocinha) revela, por exemplo, que Rogério Avelino da Silva, o Rogério 157, foi avisado por um bandido infiltrado na quadrilha de Antônio Francisco Bonfim Lopes, o Nem, que homens do bando rival estavam a caminho da comunidade, pouco antes da invasão do dia 17 de setembro último.

PM reforçou o policiamento após o início da Guerra da Rocinha. Foto Fabiano Rocha / O Globo
PM reforçou o policiamento após o início da Guerra da Rocinha. Foto Fabiano Rocha / O Globo Foto: Fabiano Rocha / Agência O Globo
O aviso evitou que Rogério fosse surpreendido e resultou numa intensa troca de tiros, flagrada por câmeras de segurança da comunidade.
Rogério 157 é procurado pela polícia. O Disque- denúncia (2253-1177) oferece R$ 50 mil por informações que levem até a prisão do bandido
Rogério 157 é procurado pela polícia. O Disque- denúncia (2253-1177) oferece R$ 50 mil por informações que levem até a prisão do bandido Foto: Reprodução
A mesma investigação, que ainda está em andamento, também esclarece que homens da quadrilha Nem realizaram ataques na comunidade para provocar instabilidade na Rocinha. O objetivo do bando seria o de culpar Rogério 157 pelas ações e piorar ainda mais a imagem do bandido na favela, que não é bem visto por boa parte dos moradores porque cobrava taxas sobre cada botija de gás vendida na Rocinha, o que elevava o preço final de cada unidade para R$ 91,80 .
Foto da prisão de Antônio Bonfim Lopes o
Foto da prisão de Antônio Bonfim Lopes o “Nem,” Foto: Reuters
Uma das ações praticadas pelo bando de Nem, ocorreu no último dia 5 de novembro, quando dois homens em uma pick up preta passaram atirando contra cinco pessoas da comunidade que faziam um luau na Praia de São Conrado, na Zona Sul. Três pessoas ficaram feridas: um adolescente, baleado da virilha, uma senhora, que vendia bebidas no luau, ferida na mão, e um homem, que foi atingido no pé.
Em outro caso investigado pela polícia, o bando de Nem assaltou um mercado na favela e disparou tiros que atingiram uma adolescente, de 12 anos, na barriga. O crime ocorreu no dia 25 de outubro. Usadas pelas duas facções rivais, as táticas de espionagem, tem como pano de fundo o domínio sobre o comércio de drogas e a rentabilidade com o lucro do negócio, que antes da guerra, chegava a R$ 2 milhões por semana.
A estimativa se baseia em anotações feitas em pelo menos 15 cadernos com contabilidade do tráfico, que foram apreendidos pela polícia, e estão sendo analisados pelo setor de inteligência da 11ª DP.
Celsinho da Vila Vintém sorri ao ser apresentado pela polícia, em 2002
Celsinho da Vila Vintém sorri ao ser apresentado pela polícia, em 2002 Foto: Domingos Peixoto / Foto Domingos Peixoto/Agência o Globo
O delegado Antônio Ricardo, da 11ª DP , concluiu e relatou um inquérito que apura o tráfico na Rocinha. Com mais de 2 mil folhas, o documento identifica 85 pessoas envolvidas com o tráfico da comunidade, todas já estão com as prisões temporárias decretadas. Deste total, 25 tiveram as prisões preventivas solicitadas à Justiça, entre elas Celso Luís Rodrigues, o Celsinho da Vila Vintém.
Ele é acusado de dar apoio logístico a Nem da Rocinha e de ser um dos chedes de uma facção criminosa. Uma nova investigação em andamento identificou mais 25 pessoas envolvidas com o tráfico. O grupo entrou na Rocinha após o início dos conflitos, no dia 17 de setembro.
Segundo a polícia, os bandidos são do Comando Vermelho, facção criminosa que Rogério 157 passou a integrar após romper com Nem da Rocinha. De acordo com as investigações, entre os já identificados estão homens vindos das comunidades Cidade de Deus, em Jacarepaguá, na Zona Oeste, Pavão/Pavãozinho, em Copacabana, Zona Sul, e Mandela, no Bairro de Manguinhos, na Zona Norte. A estimativa da polícia é a de que os bandidos que atuam na Rocinha contem com pelo menos cem armas, incluindo fuzis e pistolas.
— Estamos trabalhando para solicitar as prisões dos novos identificados em até 30 dias. Muitos dos que vieram para Rocinha não tinham antecedentes criminais —explicou o delegado Antônio Ricardo.
Fuzis e granadas apreendidos na Rocinha durante guerra travada por bandos rivais . Foto Custodio Coimbra
Fuzis e granadas apreendidos na Rocinha durante guerra travada por bandos rivais . Foto Custodio Coimbra Foto: Custódio Coimbra / Agência O Globo
No inquérito entregue à Justiça na última quinta-feira, o delegado Antônio Ricardo também pediu que o armamento apreendido na guerra da Rocinha, um total de 47 amas, incluindo pelo menos 19 fuzis e 4 mil balas, seja cedido para o arsenal da polícia.
Delegado Antônio Ricardo é o responsável pela investigação do tráfico na Rocinha. Fabiano Rocha
Delegado Antônio Ricardo é o responsável pela investigação do tráfico na Rocinha. Fabiano Rocha Foto: Fabiano Rocha / Agência O Globo
A decisão depende de análise do juízo competente e da finalização de perícia, que tem como objetivo rastrear a origem de todas as armas apreendidas.
Fonte: Diário Riostrense

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