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Após plebiscito informal da oposição contra o governo Maduro, o que muda na crise política na Venezuela?

 Partidários da oposição contra o governo
© EPA /
FEDERICO PARRA/AFP/Getty Images 
Mais de sete milhões de pessoas
aderiram neste domingo à consulta popular organizada pela oposição na Venezuela
num sinal de contínuo desgaste do governo de Nicolás Maduro.
O plebiscito informal consultou a
população, entre outras questões, sobre a iniciativa de Maduro de convocar uma
Assembleia Constituinte para reformar a Constituição venezuelana.
Ao todo, 98% rejeitaram a proposta
do governo e apoiaram a antecipação de eleições diretas para presidente, que
oficialmente está prevista para 2019. Apenas pouco mais de um terço dos
eleitores registrados votaram na consulta.
A Venezuela enfrenta uma grave
crise econômica, que se intensificou com a queda do preço do petróleo,
responsável por 95% das receitas de exportação do país e usado para financiar
os programas sociais do governo. 
Corte de gastos e desabastecimento
de alimentos e remédios têm levado Maduro a perder apoio, embora o país esteja
polarizado entre oposição e seus partidários.
Segundo os organizadores do
plebiscito, 6.492.381 pessoas votaram no país e outras 693.789 em centros de
votação no exterior. Entretanto, a votação não tem peso legal.
Quase 15 milhões de pessoas
votaram na Venezuela nas últimas eleições presidenciais, sendo que mais da
metade apoiou Maduro.
As três perguntas da consulta popular
  • Se rejeita e ignora a realização de uma
    Constituinte proposta sem a aprovação prévia do povo da Venezuela.
  • Se quer que a Força Nacional Boliavariana odedeça e
    defenda a Constituição de 1999 e respalde as decisões da Assembleia
    Nacional.
  • Se aprova a renovação dos poderes públicos, como a
    realização de eleições libres e a formação de um governo de união
    nacional.
Após a meta alcançada, a oposição
garante que a pressão contra o governo entra agora numa nova etapa. “Com
esta contundente manifestação pacífica, constitucional e democrática, o que
Maduro deveria fazer é cancelar a Constituinte nas próximas horas”, afirmou
o líder da oposição, Henrique Capriles, no domingo.
Enquanto isso, as declarações do
governo mostram que ele não reconhece a demonstração popular. O deputado
governista Héctor Rodríguez classificou de “fracasso” o plebiscito. O
ministro da Informação, Ernesto Villegas, a chamou de “pesquisa de
opinião”; e o presidente Maduro, de “consulta interna”.
Como as tentativas de negociações
parecem pouco realistas, a oposição planeja ativar a chamada “hora
zero”, ou seja, a fase decisiva de protestos contra o governo Maduro.
Ainda não está claro o que isso representa na prática e mais detalhes devem ser
divulgados em anúncios nesta segunda-feira.
Nos últimos três meses, no
entanto, quase cem pessoas morreram em protestos, que podem se tornar mais
violentos a partir de agora.
A vítima mais recente morreu neste
domingo: uma mulher foi atingida num local de votação supostamente por disparos
de motociclistas que a oposição qualifica como “paramilitares do
governo”, embora a polícia não tenha confirmado a informação.
“É de se esperar uma escalada
de conflito político no nível mais alto dos últimos 18 anos: a hora zero”,
afirmou na televisão na noite deste domingo Edgard Gutiérrez, pesquisador e
consultor político próximo à oposição.
“A hora zero não é fácil e
poderia provocar a radicalização do lado oficial. Serão dias difíceis”,
acrescentou Gutiérrez, sem dar mais detalhes.
“A hora zero é a rua
defendendo um mandato popular, defendendo a vontade soberana, que é do
povo”, disse o deputado Olivares, sem precisar qual é a diferença dos
atuais protestos que ocorrem desde o final de março, depois que duas sentenças
do Tribunal Supremo de Justiça retiraram os poderes da Assembleia Nacional, o
parlamento, de maioria da oposição.
Desde as últimas eleições
presidenciais não há na Venezuela um processo eleitoral: o Comitê Nacional
Eleitoral (CNE) suspendeu o referendo para revogar o mandato de Maduro no ano
passado. As eleições regionais, que deveriam ter sido realizadas em dezembro de
2016, foram suspensas até o próximo mês de dezembro. 
Mais pressão
“Parte do que vem agora é
aumentar a pressão nas ruas, além da institucional e internacional”,
afirmou Miguel Pizarro, um dos jovens líderes da oposição que vem ganhando
popularidade.
A oposição enxerga na reforma da
Constituinte uma estratégia de Maduro para aumentar seu poder, uma vez que ela
poderia dissolver a atual composição da Assembleia Nacional, de maioria
opositora, para colocar partidários do governo. 
A votação para a Assembleia
Constituinte está marcada para 30 de julho.

Fonte: Rio das Ostras Jornal

Origem.